A por ai uma infinidade de formas maneiras e padrões de medidas para o meu pai era o palmo. Mão larga calejada mas macia com uma leve tortura no dedo mínimo uns vinte quatro centímetros de abertura.
Um cabo de machado, taquara pra arapuca fundura de um moirão la vinha o palmo, colocava a pá na cova retirava e media, o serviço podia ser grosseiro mas tinha medida e como sempre um senso de estética que ficava agradável a vista.
No verão mil novecentos e sessenta e quatro de camisa ao vento e calção de saco de farinha, já tinha feito a recorrida da manhã atravessado a pinguela da ponta da lagoa olhado a arapuca do outro lado soltado as galinhas e ajudado a tirar o leite e como o meu universo era imenso andava nestas incursões quase sempre sozinho vivendo assim a minha vida distraída cheia de compromissos, que me lembro andava sempre rengeando ora um espinho no pé ou a ponta dos dedos sem tampa. Ainda não tinha surgido pra nós o chinelo de dedo. E se o paraíso existe era pra mim a Bomba de Candiota, nossa casa foi construída pelo meu pai a menos de cem metros de uma imensa lagoa natural formada por muitos anos de enchentes em que o rio Candiota saia da caixa e avançava furioso pela parte baixa da várzea formando assim quatro lagoas, a lagoa da ponta, lagoa do meio e lagoa do fundo só que antes da lagoa do fundo tinha uma pequena que por ser de difícil acesso e barrenta nas beiradas não tinha denominação mas pra nós era a lagoa pequena e a nossa lagoa era a lagoa do meio.
Embora meu avô materno tenha sido o maior pescador que me lembre com estrutura para rios e pesca de arrastão e minha mãe que gostava de incursão e acampamentos eu não carrego esta herança pescar da um tédio e tem muita coisa na volta esperando pra ser descoberta de modo que sempre que esta função se armava eu já carregava meu universo paralelo, as linhas ficavam ali atadas em qualquer coisa e saia por ai, meu pai era assim, e foi assim que um dia de manhã ele atirou uma linha com isca de rã pimenta (sapo) bem no meio da lagoa, e foi pra lavoura.
A mata ciliar do pampa meridional é composta de árvores de madeira não nobre espinhentas que demoram anos para crescer que com sua pouca durabilidade depois de cortadas são consumidas pelos carunchos que as enchem de furos em pouco tempo depois de cortadas mesmo assim preenchem os espaços ciliares entre as aguas e o pampa, era assim o nosso pesqueiro, a mata a tábua de lavar na esquerda um tufo de junco no meio e uma pitangueira bem na entrada e foi ali que estava a linha atada quando cheguei.
Nesse instante a linha correu e como estava atada acima do alcance do braço saltei e puxei senti o meu dedo cortado e baixei para puxar com as duas mãos quando firmei a linha a visão de uma enorme traíra que saltava de boca aberta no meio da lagoa fez meu coração de criança disparar e uma emoção que se desvaneceu a seguir porque a linha cedeu e veio frouxa ate a linha dos sarandis quando de repente as minhas mãos não conseguiam segurar a linha e meu pai sempre dizia, não deixa ir para os sarandis, sem muita noção passei a linha na volta da cintura e corri ladeira acima e só parei quando a linha trancou pois ainda estava atada na pitangueira e olhei então aquele peixe que pulava na grama e minha garganta sem fala meus olhos buscavam alguém na volta e ninguém pra testemunhar o meu feito. Com uma mão pequena para o tamanho da boca e o coração que não cabia no peito comecei a tarefa de tirar o anzol e levar pra casa.
Minha mãe como sempre muito pratica queria escamar e transformar em postas já pro almoço, protestei e cedi no que era somente escamar e limpar nada antes da chegada de meu pai.
A traíra em cima da mesa um olhar aprovador e contar a história era tudo que um guri sonhador precisava meu pai chegou olhou sorriu e mediu "três palmos".
domingo, 13 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A eliminação dos corvos
Começava firme a marcha da decada de sessenta, quando chegamos em sesseta e tres em Candiota, mais precisamente, na bomba de candiota lugar assim denominado porque era ali com uma imensa caixa dágua onde os trens locomotivas se abasteciam lotando suas caldeiras pra seguir viagem até Pelotas ou Rio Grande.
Foi nesta época que chegou na estancia um carregamento de quatro mil ovelhas corriedale oriundas do Uruguai e despertava ali a minha consiencia para o que me tornaria um dia ser pecuarista.
Junto com tamanho rebanho veio um sujeito que tinha a alcunha de Capitão, e que viria a ser a partir de então o capataz da estãncia, e desde então nunca mais dissossiei a figura do termo, capataz, Capitão.
Seu Capitão, como o chamavamos era um sujeito corpulento meio gordo, boa impostura na voz e uma determinação inquestionavel, pois o capatáz manda, muito enérgico mas amavel com a gurizada.
Por onde andava era sempre como a imagem de um pala em frangalhos ele sempre fazendo a ponta e para traz se estendia um séquito de outros campeiros que dependendo da habilidade iam ficando mais pra traz os maturrangos, ajudantes sem nenhuma perícia no mais so sabiam montar e fazer um costado, assim como a cachorrada em um número incontavel onde os mais novos acompanhavam ponteando a tropa e o resto os de pata curta capengas ou caducos iam ficando pra traz mas iam como farrapos acompanhando a duras penas suportando sua condição imposta pela adversidade dos anos de lida bruta, mas mantinham a lealdade de seguir.
Nesta época também aprendemos, o que era catar lã, lavar a lã e a maior de todas as pragas pra um gurí sonhador onde o limite era apenas um detalhe do horizonte, nos era imposta a condição de cardar a lã. Se lavar ja era uma tarefa condenavel imagina ficar ali durante horas a desfiar a lã até o ponto de carda bem desfiada de modo a ficar macia e pronta a se tornar um travesseiro ou um acolchoado macio e a vida a correr la fora precisando de um guri pra correr e respirar o vento, e como tinha lã campo afora.
Logo se fez notar no bioma local que um novo tipo de presa estava habitando o pampa, não há um tipo de bicho mais atoa do que ovelha totalmente sem defesa mas de indole brava, se encherga um cachorro vira de frente e bate pé se um corvo pousa perto quer dar amarrada, dai então que os da cadeia alimentar mais acima se esqueceram de uma disputa milenar das batalhas diarias em busca de alimentos e se dedicaram a vida facil.
Chegou então em fartura para o vale do Candiota comida pros sorros pros caranchos pras moscas e para um incalculavel bando de corvos.
Ovelha meia doente ou durante o parto um casal de corvos imediatamente lhe furam os olhos, cordeiro recem nascido um carrega a ovelha pra longe e o outro ataca o cordeiro, o que resta vai pros sorros pros caranchos e por fim pras moscas.
Em todas as circustâncias em que a fartura alimentar se sobrepõe a uma condição anterior de uma certa escacêz, a proliferação do predador é fortemente acelerada e as baixas passaram a ser de um significado que se tinha que tomar providências, e foram então tomadas.
Nesta época comecei a ter noção da estenção da palavra veneno e que se tornaram nomes como tatuzinho, estriquinina e fulminante para as aves o assuntol.
O poder de destruição se pode ver nas praias do areal do rio Candiota completamente pretas de cadáveres de corvos e foi adiante desimando sorros e como passaros moribundos foram se tornando presas para caranchos mão peladas, gaviões aguias, gato do mato e outros comedores de cadaveres até resultar em um silêncio total onde não se via mais nada no ceu e nenhum barulho nas matas.
Deste modo foi que em menos de um ano toda a região da fronteira e em conjunto foi completamente eliminado dos céus o corvo carniceiro começamos então a ver que os cadaveres dos animais no campo jasiam mumificados sem o seu milenar consumidor
De lá pra cá foi visto com admiração no ano de dois mil e oito um pássaro preto que bate asas com mais rapidez na costa do Taquarembózinho em uma carniça de capivara, não se viu outro desde então.
Recordei isso antes de reunir o rebanho esta manhã enquanto mateava.
Foi nesta época que chegou na estancia um carregamento de quatro mil ovelhas corriedale oriundas do Uruguai e despertava ali a minha consiencia para o que me tornaria um dia ser pecuarista.
Junto com tamanho rebanho veio um sujeito que tinha a alcunha de Capitão, e que viria a ser a partir de então o capataz da estãncia, e desde então nunca mais dissossiei a figura do termo, capataz, Capitão.
Seu Capitão, como o chamavamos era um sujeito corpulento meio gordo, boa impostura na voz e uma determinação inquestionavel, pois o capatáz manda, muito enérgico mas amavel com a gurizada.
Por onde andava era sempre como a imagem de um pala em frangalhos ele sempre fazendo a ponta e para traz se estendia um séquito de outros campeiros que dependendo da habilidade iam ficando mais pra traz os maturrangos, ajudantes sem nenhuma perícia no mais so sabiam montar e fazer um costado, assim como a cachorrada em um número incontavel onde os mais novos acompanhavam ponteando a tropa e o resto os de pata curta capengas ou caducos iam ficando pra traz mas iam como farrapos acompanhando a duras penas suportando sua condição imposta pela adversidade dos anos de lida bruta, mas mantinham a lealdade de seguir.
Nesta época também aprendemos, o que era catar lã, lavar a lã e a maior de todas as pragas pra um gurí sonhador onde o limite era apenas um detalhe do horizonte, nos era imposta a condição de cardar a lã. Se lavar ja era uma tarefa condenavel imagina ficar ali durante horas a desfiar a lã até o ponto de carda bem desfiada de modo a ficar macia e pronta a se tornar um travesseiro ou um acolchoado macio e a vida a correr la fora precisando de um guri pra correr e respirar o vento, e como tinha lã campo afora.
Logo se fez notar no bioma local que um novo tipo de presa estava habitando o pampa, não há um tipo de bicho mais atoa do que ovelha totalmente sem defesa mas de indole brava, se encherga um cachorro vira de frente e bate pé se um corvo pousa perto quer dar amarrada, dai então que os da cadeia alimentar mais acima se esqueceram de uma disputa milenar das batalhas diarias em busca de alimentos e se dedicaram a vida facil.
Chegou então em fartura para o vale do Candiota comida pros sorros pros caranchos pras moscas e para um incalculavel bando de corvos.
Ovelha meia doente ou durante o parto um casal de corvos imediatamente lhe furam os olhos, cordeiro recem nascido um carrega a ovelha pra longe e o outro ataca o cordeiro, o que resta vai pros sorros pros caranchos e por fim pras moscas.
Em todas as circustâncias em que a fartura alimentar se sobrepõe a uma condição anterior de uma certa escacêz, a proliferação do predador é fortemente acelerada e as baixas passaram a ser de um significado que se tinha que tomar providências, e foram então tomadas.
Nesta época comecei a ter noção da estenção da palavra veneno e que se tornaram nomes como tatuzinho, estriquinina e fulminante para as aves o assuntol.
O poder de destruição se pode ver nas praias do areal do rio Candiota completamente pretas de cadáveres de corvos e foi adiante desimando sorros e como passaros moribundos foram se tornando presas para caranchos mão peladas, gaviões aguias, gato do mato e outros comedores de cadaveres até resultar em um silêncio total onde não se via mais nada no ceu e nenhum barulho nas matas.
Deste modo foi que em menos de um ano toda a região da fronteira e em conjunto foi completamente eliminado dos céus o corvo carniceiro começamos então a ver que os cadaveres dos animais no campo jasiam mumificados sem o seu milenar consumidor
De lá pra cá foi visto com admiração no ano de dois mil e oito um pássaro preto que bate asas com mais rapidez na costa do Taquarembózinho em uma carniça de capivara, não se viu outro desde então.
Recordei isso antes de reunir o rebanho esta manhã enquanto mateava.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Entardecer
Labareda que aquece
faz a agua fria chiar
O amargo do meu mate
faz o tempo rude passa
Em noites de lua cheia
vou pro firmamento olhar
Se uma estrela cadente
vem na minha frente passar
Corro fazer uns pedidos
que é pra eternamente dura...
faz a agua fria chiar
O amargo do meu mate
faz o tempo rude passa
Em noites de lua cheia
vou pro firmamento olhar
Se uma estrela cadente
vem na minha frente passar
Corro fazer uns pedidos
que é pra eternamente dura...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Revisando tropa
Comprar gado em uma mangueira, parece uma coisa simples, do ponto de vista do comprador que vai pro negócio querendo ganhos mas não é assim.
Quem vive na fronteira, e como diz meu vizinho seu Joaquim, negocio de pobre não podo ser ligeiro tem que demorar um pouco pois é o unico negócio do ano, então vamos la sem pressa.
Chegando ao lugar vamos analizando o trajeto, se sai com chuva, se tem carregador onde é a balança se tem carrapato na região, como é o tipo de lida na propriedade, tudo tem importância antes de tomar a decisão.
Chegar cedo é regra fundamental, pega a peonada antes da largada, não esquecer da mala de mate pode ser que demore pra juntar a tropa e dai junto com o corretor ou proprietário se vai juntando dados que serão importantes na contratação da compra enquanto despretenciosamente vamos mateando e conhecendo muitas vezes uma parte produtiva do Rio Grande amado.
Reunida a tropa se apresenta então a raça predominante e assim identificamos o gosto do proprietário e ao que ele se definiu, angus , brangus, hereford ou braford, são em geral os rumos que se identificou como os melhores para o bioma pampa.
Dependendo da propriedade também se espera que sejamos portadores de informações, preço do boi da vaca do novilho e tendências assim como se vai chover ou se a seca continua tendo sempre o cuidado de que a pessoa esta depositando em nós uma deferência grande pois estamos interassados em um produto que ele teve um grande trabalho em produzir e isto lhe dá com certeza um grande valor.
Afinar o oho, a balança esta lá e a tropa na mangueira, esta pergunta vai chegar pode estar certo vai ser o teste que o proprietario vai lhe inflingir, valorize, logo ali vai ver como é importante estar entre amigos novos e quem sabe uma fidelidade que vai durar muitos anos, qual o peso?
Conte sua historia e ouça com paciência, provavelmente saber como foi que se passou o ultimo inverno lhe dirá o porque do estado corporal da compra, como é mesmo que sera transformado em um produto de valor em suas mãos fara também que ele capriche na produção seguinte.
Pesagem feita, preço acertado, combinado o carregamento se esquece o negocio e se alarga os horizontes se os cavalos são crioulos se os ovinos são de carne ou de lã e pra que servem os cachorros, ja se tem na região o cultivo do essencial do util e do resultado e onde esta centrado o foco por um assim dizer um singelo campesino conhece os fundamentos de uma boa gestão.
É então a hora que se terminam os assuntos que se apertam as mãos se saudam os ajudantes que miramos de volta pra querência... esta então revisada a tropa, ir pra casa e aguardar mateando.
Quem vive na fronteira, e como diz meu vizinho seu Joaquim, negocio de pobre não podo ser ligeiro tem que demorar um pouco pois é o unico negócio do ano, então vamos la sem pressa.
Chegando ao lugar vamos analizando o trajeto, se sai com chuva, se tem carregador onde é a balança se tem carrapato na região, como é o tipo de lida na propriedade, tudo tem importância antes de tomar a decisão.
Chegar cedo é regra fundamental, pega a peonada antes da largada, não esquecer da mala de mate pode ser que demore pra juntar a tropa e dai junto com o corretor ou proprietário se vai juntando dados que serão importantes na contratação da compra enquanto despretenciosamente vamos mateando e conhecendo muitas vezes uma parte produtiva do Rio Grande amado.
Reunida a tropa se apresenta então a raça predominante e assim identificamos o gosto do proprietário e ao que ele se definiu, angus , brangus, hereford ou braford, são em geral os rumos que se identificou como os melhores para o bioma pampa.
Dependendo da propriedade também se espera que sejamos portadores de informações, preço do boi da vaca do novilho e tendências assim como se vai chover ou se a seca continua tendo sempre o cuidado de que a pessoa esta depositando em nós uma deferência grande pois estamos interassados em um produto que ele teve um grande trabalho em produzir e isto lhe dá com certeza um grande valor.
Afinar o oho, a balança esta lá e a tropa na mangueira, esta pergunta vai chegar pode estar certo vai ser o teste que o proprietario vai lhe inflingir, valorize, logo ali vai ver como é importante estar entre amigos novos e quem sabe uma fidelidade que vai durar muitos anos, qual o peso?
Conte sua historia e ouça com paciência, provavelmente saber como foi que se passou o ultimo inverno lhe dirá o porque do estado corporal da compra, como é mesmo que sera transformado em um produto de valor em suas mãos fara também que ele capriche na produção seguinte.
Pesagem feita, preço acertado, combinado o carregamento se esquece o negocio e se alarga os horizontes se os cavalos são crioulos se os ovinos são de carne ou de lã e pra que servem os cachorros, ja se tem na região o cultivo do essencial do util e do resultado e onde esta centrado o foco por um assim dizer um singelo campesino conhece os fundamentos de uma boa gestão.
É então a hora que se terminam os assuntos que se apertam as mãos se saudam os ajudantes que miramos de volta pra querência... esta então revisada a tropa, ir pra casa e aguardar mateando.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Casereada
Um homen nunca está só, tem a si mesmo, de modo que a solidão nos pampas é uma constante e assim fui aprendendo com essa convivência a senti-la, e, quanto mais silêncio melhor senão como ouvir um mão pelada ou grito do sorro e o corujão de orelha? Os pássaros se acomodam no enterdecer e no crepusculo ja se resgardaram. João de barro grita quando um sorro passa por baixo, e os pilinchos que dormem todos no mesmo galho quando um estranho se aproxima é um total esparramo mato a fora, ou o karã que é o nosso grou sul americano junto com as saracuras pra cada situação um canto diferente, ai que aprendelos, e durante a noite, ouvir e virar de lado. Durante a ciesta no verão quando um quero quero grita pode aposta que é lagarto, corroira chiando em reboleira com certeza é a cobra verde... e assim por diante vamos armazenando sons e situaçãoes que até uma passagem de ar diferente conversa com a gente nos dizendo que é meio dia, porque será que levanta um pé de vento quase sempre na hora da cestia, mas olha, de desmancha monte de lata.... só tem uma coisa e é a única coisa que nos une ao universo e não pode faltar sob pena de despionar a estância é o radinho de pilha, isso não tem solução nenhum serviço é pesado ou chato quando se gosta faze-lo mas a atenção tando na milonga do Pedro Hortaça quanto na vanera dos Serranos isto não tem preço... Nas longas noites de inverno o vento soa diferente em árvores desfolhadas é como um assovio um chiado na fresta da janela, já na primavera verão o vento é como um murmurar em conversa com as árvores como quem alerta o tempo... a chuva a garoa galopiada inverno frio, pingo grosso chuva de verão ou chuva fina, o trovão de longe chuva de perto e o ráio que desce o que cai e o que percorre a linha do horizonte sem parar dai então se prepare porque é temporal do feio e com rajadas pra destelha galpão e se a esquila for recente não descuidar do rebanho as ovelha se desorienta sem a lã recem tirada e o xoque termico pode levar a morte de grande parte do rebanho. Os nhandús quando começam a cantar nos campos estão delimitando territorio e quando termina o inverno os lotes 4 a5 femeas por macho ja estão formados e a postura ja se dá partir de outubro ninhadas de 15 a18 ovos são comum mas também nesta época ja começa a safra dos tatu peludo que quebram os ovos pra comer ningém sabe ao certo como fazem mas quebram o lagarto tambem quebra acho que ate sei mas não digo, tem coisas que mesmo vendo não se acredita.... O som da pisada tem muito a nos contar o andar o trote o galope e a disparada seguida de outros concertos nem precisa levanta a cabeça e vamos com o tempo aprendendo de que se trata... por fim ao pe do fogão a lenha nas noites que começam cedo, sobra depois da janta so o chiar da solitária chaleira onde devagar vai morrendo o fogo...e assim vamos pra cama estender o corpo pra matear de madrugada.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Cevando um mate amargo
Faz tempo que abro e olho esta página em branco e não me encorajo a enfrentar o teclado então começo hoje aqui como quem ageita um mate. Ao longo dos anos se vai juntando coisas que se tornam nossa propriedade incontestavel pequenas porcarias que nos dão satisfação de posse, de tocar, de ver, cultivar, vestir como um trapo velho que reportamos a cada inverno quando a situação aperta, mas nada, nada mesmo se compara como os nossos avios de mate! Como todas bugigangas de consumo os avios de mate também tem a sua evolução e objeto de desejo como a bomba. A bomba começa sem nenhum requinte e vamos levando a vida até que algém nos oferece um mate com uma bomba de prata, ora meus amigos como o mundo é desigual, então sentimos so o gosto da erva e ao voltearmos nossa velha bomba de lata descobrimos afinal que neste universo também se muda de encilha, e na primeira oportunidade largamos de mão pra nunca mais aceitar menos, menos que uma bomba de prata! A cuia, levamos alguns anos ate acertar a mão, nos tornamos exigentes e perfeccionistas a ponto de sempre que achamos uma prateleira com amostras testamos uma por uma até que um dia a mão se encaixa e levamos com jeito de quem namora entregando a ela nossos vicios e fraquezas pedindo sempre conselhos a cada clarear do dia. A chaleira, bom esta tem que ser das que chia e se não chiar como saber do ponto certo da agua ai esta então uma coisa que não aceita mudança, inox nen pensar, se passa vergonha, como oferecer um mate que vai queimar o vivente, até cambona ou chicolatera chiam então o melhor é uma chalerinha de aluminio das antigas com cabo que dobra e pegador de madeira, chaleira de ferro não se aconselha, muito pesada cansa o braço. E, com uma térmica, que seja fiel do inicio ao fim do mate e que seja confortavel em baixo do braço esquerdo para pegar com a mão direita está pronta a estrutura que vai nos acompanhar com o desenrolar dos anos com esperas longas pelo passar das manhãs de inverno ou depois da ciesta para que o sol baixe para sair a campo. Há, falta a erva e a erva tem que ser da que vem pra fronteira, a serrana tem muita muinha entope a que vem da argentina é muito amarga, pura folha aflocha a barriga não tem como a erva moida grossa, incha com a agua meia esperta e ao chiar da chaleira, pronto começamos a matear.
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