sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Casereada

Um homen nunca está só, tem a si mesmo, de modo que a solidão nos pampas é uma constante e assim fui aprendendo com essa convivência a senti-la, e, quanto mais silêncio melhor senão como ouvir um mão pelada ou grito do sorro e o corujão de orelha? Os pássaros se acomodam no enterdecer e no crepusculo ja se resgardaram. João de barro grita quando um sorro passa por baixo, e os pilinchos que dormem todos no mesmo galho quando um estranho se aproxima é um total esparramo mato a fora, ou o karã que é o nosso grou sul americano junto com as saracuras pra cada situação um canto diferente, ai que aprendelos, e durante a noite, ouvir e virar de lado. Durante a ciesta no verão quando um quero quero grita pode aposta que é lagarto, corroira chiando em reboleira com certeza é a cobra verde... e assim por diante vamos armazenando sons e situaçãoes que até uma passagem de ar diferente conversa com a gente nos dizendo que é meio dia, porque será que levanta um pé de vento quase sempre na hora da cestia, mas olha, de desmancha monte de lata.... só tem uma coisa e é a única coisa que nos une ao universo e não pode faltar sob pena de despionar a estância é o radinho de pilha, isso não tem solução nenhum serviço é pesado ou chato quando se gosta faze-lo mas a atenção tando na milonga do Pedro Hortaça quanto na vanera dos Serranos isto não tem preço... Nas longas noites de inverno o vento soa diferente em árvores desfolhadas é como um assovio um chiado na fresta da janela, já na primavera verão o vento é como um murmurar em conversa com as árvores como quem alerta o tempo... a chuva a garoa galopiada inverno frio, pingo grosso chuva de verão ou chuva fina, o trovão de longe chuva de perto e o ráio que desce o que cai e o que percorre a linha do horizonte sem parar dai então se prepare porque é temporal do feio e com rajadas pra destelha galpão e se a esquila for recente não descuidar do rebanho as ovelha se desorienta sem a lã recem tirada e o xoque termico pode levar a morte de grande parte do rebanho. Os nhandús quando começam a cantar nos campos estão delimitando territorio e quando termina o inverno os lotes 4 a5 femeas por macho ja estão formados e a postura ja se dá partir de outubro ninhadas de 15 a18 ovos são comum mas também nesta época ja começa a safra dos tatu peludo que quebram os ovos pra comer ningém sabe ao certo como fazem mas quebram o lagarto tambem quebra acho que ate sei mas não digo, tem coisas que mesmo vendo não se acredita.... O som da pisada tem muito a nos contar o andar o trote o galope e a disparada seguida de outros concertos nem precisa levanta a cabeça e vamos com o tempo aprendendo de que se trata... por fim ao pe do fogão a lenha nas noites que começam cedo, sobra depois da janta so o chiar da solitária chaleira onde devagar vai morrendo o fogo...e assim vamos pra cama estender o corpo pra matear de madrugada.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cevando um mate amargo

Faz tempo que abro e olho esta página em branco e não me encorajo a enfrentar o teclado então começo hoje aqui como quem ageita um mate. Ao longo dos anos se vai juntando coisas que se tornam nossa propriedade incontestavel pequenas porcarias que nos dão satisfação de posse, de tocar, de ver, cultivar, vestir como um trapo velho que reportamos a cada inverno quando a situação aperta, mas nada, nada mesmo se compara como os nossos avios de mate! Como todas bugigangas de consumo os avios de mate também tem a sua evolução e objeto de desejo como a bomba. A bomba começa sem nenhum requinte e vamos levando a vida até que algém nos oferece um mate com uma bomba de prata, ora meus amigos como o mundo é desigual, então sentimos so o gosto da erva e ao voltearmos nossa velha bomba de lata descobrimos afinal que neste universo também se muda de encilha, e na primeira oportunidade largamos de mão pra nunca mais aceitar menos, menos que uma bomba de prata! A cuia, levamos alguns anos ate acertar a mão, nos tornamos exigentes e perfeccionistas a ponto de sempre que achamos uma prateleira com amostras testamos uma por uma até que um dia a mão se encaixa e levamos com jeito de quem namora entregando a ela nossos vicios e fraquezas pedindo sempre conselhos a cada clarear do dia. A chaleira, bom esta tem que ser das que chia e se não chiar como saber do ponto certo da agua ai esta então uma coisa que não aceita mudança, inox nen pensar, se passa vergonha, como oferecer um mate que vai queimar o vivente, até cambona ou chicolatera chiam então o melhor é uma chalerinha de aluminio das antigas com cabo que dobra e pegador de madeira, chaleira de ferro não se aconselha, muito pesada cansa o braço. E, com uma térmica, que seja fiel do inicio ao fim do mate e que seja confortavel em baixo do braço esquerdo para pegar com a mão direita está pronta a estrutura que vai nos acompanhar com o desenrolar dos anos com esperas longas pelo passar  das manhãs de inverno ou depois da ciesta para que o sol baixe para sair a campo. Há, falta a erva e a erva tem que ser da que vem pra fronteira, a serrana tem muita muinha entope a que vem da argentina é muito amarga, pura folha aflocha a barriga não tem como a erva moida grossa, incha com a agua meia esperta e ao chiar da chaleira, pronto começamos a matear.