quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cevando um mate amargo

Faz tempo que abro e olho esta página em branco e não me encorajo a enfrentar o teclado então começo hoje aqui como quem ageita um mate. Ao longo dos anos se vai juntando coisas que se tornam nossa propriedade incontestavel pequenas porcarias que nos dão satisfação de posse, de tocar, de ver, cultivar, vestir como um trapo velho que reportamos a cada inverno quando a situação aperta, mas nada, nada mesmo se compara como os nossos avios de mate! Como todas bugigangas de consumo os avios de mate também tem a sua evolução e objeto de desejo como a bomba. A bomba começa sem nenhum requinte e vamos levando a vida até que algém nos oferece um mate com uma bomba de prata, ora meus amigos como o mundo é desigual, então sentimos so o gosto da erva e ao voltearmos nossa velha bomba de lata descobrimos afinal que neste universo também se muda de encilha, e na primeira oportunidade largamos de mão pra nunca mais aceitar menos, menos que uma bomba de prata! A cuia, levamos alguns anos ate acertar a mão, nos tornamos exigentes e perfeccionistas a ponto de sempre que achamos uma prateleira com amostras testamos uma por uma até que um dia a mão se encaixa e levamos com jeito de quem namora entregando a ela nossos vicios e fraquezas pedindo sempre conselhos a cada clarear do dia. A chaleira, bom esta tem que ser das que chia e se não chiar como saber do ponto certo da agua ai esta então uma coisa que não aceita mudança, inox nen pensar, se passa vergonha, como oferecer um mate que vai queimar o vivente, até cambona ou chicolatera chiam então o melhor é uma chalerinha de aluminio das antigas com cabo que dobra e pegador de madeira, chaleira de ferro não se aconselha, muito pesada cansa o braço. E, com uma térmica, que seja fiel do inicio ao fim do mate e que seja confortavel em baixo do braço esquerdo para pegar com a mão direita está pronta a estrutura que vai nos acompanhar com o desenrolar dos anos com esperas longas pelo passar  das manhãs de inverno ou depois da ciesta para que o sol baixe para sair a campo. Há, falta a erva e a erva tem que ser da que vem pra fronteira, a serrana tem muita muinha entope a que vem da argentina é muito amarga, pura folha aflocha a barriga não tem como a erva moida grossa, incha com a agua meia esperta e ao chiar da chaleira, pronto começamos a matear.

2 comentários:

  1. o que posso dizer... se não escrevesse bem, não seria meu pai!! hauhauahuaha
    adorei... como adoro tudo que tu escreve!!!
    siga escrevendo, que eu sigo lendo!
    te amooo... e adoro o radinho de pilha tb (tua marca registrada)!!

    Fê Dalmaso

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  2. ora vejam só, meu cunhado tem um blog e eu nem sabia... esta família de escritores está se revelando dia a dia! Que maravilha! Adorei este texto, visualizei cada cena sobre a escolha dos acessórios que garantem um bom mate! Muito bom mesmo!! abraço Gelsa

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